H.P. Lovecraft (Howard Phillips Lovecraft) nasceu em Providence, Rhode Island, nos Estados Unidos da América. Começou a escrever bem cedo (basicamente poesia), tendo iniciado aos 27 anos seus trabalhos com ficção científica e terror; infelizmente não conheceu o sucesso em vida.

H.P. Lovecraft

H.P. Lovecraft

A obra de H.P. Lovecraft

Suas obras fantásticas, toda sua criação, incluindo a ideia do Cosmicismo, foi levada ao grande público graças à ajuda de seus correspondentes (é suposto que Lovecraft tenha escrito mais de 80 mil cartas ao longo de sua vida) e amigos.

Ele elaborou contos extremamente detalhados, nos quais  a humanidade é vista como algo extremamente frágil e à mercê de seres muito mais poderosos e antigos, os quais não têm por ela nenhum tipo de apreço. Mais: a humanidade é totalmente impotente frente a tais forças, podendo ser dizimada à qualquer momento.

Tal noção, tal ideia, tais fatores, em conjunto, ajudam a formar um conjunto de obras extremamente perturbador e envolvente. As obras de H.P. Lovecraft não tratam apenas de horror: nelas podemos perceber diversos outros elementos, como por exemplo astronomia, antropologia, psicologia, etc.

O autor era extremamente prolífico, e criou um verdadeiro panteão de seres fantásticos e monstruosos ao extremo, o qual foi denominado Mitos de Cthulhu. Grande parte das obras de Lovecraft faz referência a seres de outros mundos ou realidades. Aos tais Grandes Antigos, Old Ones, a criaturas muitas vezes além da compreensão humana, criaturas estas, muitas vezes, habitando nosso próprio mundo.

Foi dito inclusive por Lovecraft, em uma de suas inúmeras cartas, que é impossível a qualquer ser humano pronunciar corretamente o nome Cthulhu (uma de suas mais famosas criações). Que tal palavra era impossível de ser pronunciada por bocas humanas, e que ela tem origem em idiomas de criaturas muito antigas e com sistemas vocais e biológicos totalmente diferentes dos nossos. Esta é mais uma amostra da enorme profundidade da obra do filho de Providence.

A influência de Lovecraft, aliás, está presente em nosso dia a dia de maneiras que muitas vezes passam desapercebidas, incluindo filmes, livros, música (a banda Metallica, por exemplo, com a magistral e totalmente orquestral The Call of Cthulhu), filmes (Re-Animator, Alien, dentre outros), etc.

Darkside Books - Coleção Medo Clássico

Medo Clássico Volume 1 – Cosmic Edition – Darkside Books

A editora Darkside Books possui um catálogo fantástico. Um catálogo capaz de agradar imensamente aos fãs de títulos de terror e/ou ficção científica, dado o escopo das obras e também dado o capricho com o qual cada livro é produzido.

No caso da edição a respeito da qual falarei agora, a H.P. Lovecraft – Medo Clássico Volume 1 – Cosmic Edition, temos algo verdadeiramente fantástico. É óbvio que a obra do autor supracitado já caiu em domínio público, e temos outras compilações à disposição no mercado, como por exemplo uma edição com mais de mil páginas pela editora Martin Claret.

Mas a edição da Darkside Books é fantástica pelo conjunto em si. Ela conta com uma seleção de contos verdadeiramente essenciais dentro do imaginário lovecraftiano, incluindo aquele que talvez seja um dos seus contos mais conhecidos, The Call of Cthulhu (ou O Chamado de Cthulhu).

Lovecraft - Medo Clássico Volume 2 - Cosmic Edition - Darkside Books

Em tal conto, temos a tal entidade cósmica monstruosa que seria a líder dos Grandes Antigos, criatura esta que aparece e/ou é mencionada em outras obras de Lovecraft.

A edição Medo Clássico Volume 1 – Cosmic Edition da Darkside Books também conta com diversos outros contos, os quais seguem abaixo:

  • Dagon;
  • A cidade sem nome;
  • Herbert West: Reanimator;
  • O depoimento de Randolph Carter;
  • O cão de caça;
  • O já acima mencionado O chamado de Cthulhu;
  • Nas montanhas da loucura;
  • A sombra vinda do tempo;
  • A história do Necronomicon;

Temos aí uma belíssima seleção com 9 contos repletos do mais puro Cosmicismo. Meus contos preferidos, além de “O chamado de cthulhu”, são “Herbert West: Reanimator” (que inspirou o filme de horror Re-Animator, de 1985), “Nas montanhas da loucura” e “A sombra vinda do tempo”.

Herbert West: Reanimator

A história de Herbert West: Reanimator deve ser bastante conhecida por você, caríssimo leitor, até mesmo devido ao filme da década de 80. Ela fala a respeito de um médico que desenvolveu uma espécie de composto químico capaz de reanimar os mortos. Tal médico, à partir daí, passa a ser perseguido por horrores que ele mesmo criou. É sensacional.

Nas montanhas da loucura

Já “Nas montanhas da loucura” nos apresenta a um grupo de pesquisadores na Antártida que acaba meio que acidentalmente entrando em contato com uma raça ancestral. Raça esta, obviamente, pertencente ao imaginário lovecraftiano.

Aqui temos um dos grandes trabalhos do autor norte-americano, nos apresentando e descrevendo em detalhes os dissabores enfrentados pela tal expedição de pesquisadores, além das tragédias por eles presenciadas.

Aliás, “Nas montanhas da loucura” apresenta ao leitor inclusive uma série de conceitos científicos, o que prova também a enorme versatilidade e conhecimento de Lovecraft.

O líder da expedição, horrorizado com o que vê e presencia, por falar nisso, tem em mente fazer de tudo para evitar que mais pessoas cheguem àquele “lugar de morte”.

Este conto, aliás, serviu como inspiração para o filme Prometheus, dentre outras obras, vale a pena ressaltar. E como em diversos outros contos do autor, “Nas montanhas da loucura” cita a presença de raças ancestrais que habitaram a Terra muito tempo antes dos primeiros seres humanos.

A sombra vinda do tempo

Ainda falando a respeito dos contos presentes na maravilhosa compilação editada pela Darkside, gostaria de comentar a respeito de “A sombra vinda do tempo”. Aqui temos um conto bem longo, com cerca de 80 páginas, o qual deixa bastante em evidência uma determinada Grande Raça que teria habitado a Terra antes dos seres humanos.

O conto também versa sobre viagens no tempo e projeção astral, assuntos que, sob o comando de Lovecraft, se tornam extremamente instigantes e intrigantes. Eu diria até que este é um dos grandes momentos do livro, uma história extremamente aterrorizante e impactante, que lida com o medo e com o desconhecido de forma  soberba.

Aqui Lovecraft consegue também mencionar várias de suas outras criações, e não perde tempo enquanto deixa claro ao leitor que estamos lidando com seres antiquíssimos e poderosíssimos, os quais, entretanto, temem terrivelmente seres ainda mais antigos (e poderosos) que eles próprios.

Aqui fica mais do que evidente o enorme talento de Lovecraft em misturar ficção científica e horror, e “A sombra vinda do tempo”, digamos, é um daqueles contos essenciais dentro das obras do famoso autor.

Mas você deve estar se perguntando: como é a edição da Darkside Books?

A Cosmic Edition, da Darkside Books

Bem, ela é fantástica. A edição que tenho em mãos, a “Medo Clássico Volume 1 – Cosmic Edition”, é linda por dentro e por fora. Ela foi traduzida por Ramon Mapa, professor universitário, escritor e grande especialista na obra de Lovecraft. A “Medo Clássico Volume 1 – Cosmic Edition”, além disso, é fluorescente: ela brilha, realmente, no escuro, principalmente sua lombada. Isto sem falar na altíssima qualidade do papel – bem grosso, por sinal.

Dentro do grosso livro, encontramos, além dos 09 (nove) contos supracitados, uma introdução da própria Darkside (escrita por Ramon Mapa), e um texto chamado “Lovecraft e a cultura pop”, apresentando ao leitor diversas obras influenciadas pelo filho de Providence, incluindo filmes, séries, games, música (como a já citada The Call of Cthulhu), etc.

Lovecraft - Medo Clássico Volume 2 - Cosmic Edition - Darkside Books

Isto sem falar em um texto de Robert Bloch que versa a respeito das comparações entre Lovecraft e seu grande ídolo, Edgar Allan Poe. Temos também imagens de várias cartas e anotações raras escritas pelo autor de Providence, além de um texto de Clemente Penna que fala a respeito da vida de Lovecraft em sua cidade natal, bem como a respeito das experiências do autor do texto em tal cidade, nos tempos atuais.

O livro todo, por falar nisso, conta com espetaculares ilustrações do artista Walter Pax. A “Medo Clássico Volume 1 – Cosmic Edition”, por sua vez, possui um total de 384 páginas, além de capa dura contendo uma ilustração de Cthulhu. O livro possui as dimensões de 16×23 cm, e pesa 520 gramas. É uma obra e tanto, não?

Achei falta, entretanto, de alguns contos de Lovecraft, como por exemplo A cor que caiu do espaço e Os sonhos na casa da bruxa. Mas a edição da Darkside, sem sombra de dúvidas, é fantástica.

 

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